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'Presidente fez disso uma disputa política', diz deputada Marília Arraes, autora do projeto para distribuir absorvente, vetado por Bolsonaro

'Presidente fez disso uma disputa política', diz deputada Marília Arraes, autora do projeto para distribuir absorvente, vetado por Bolsonaro

Redação
Por: Redação
09/10/2021 às 10h02 Atualizada em 09/10/2021 às 13h02
'Presidente fez disso uma disputa política', diz deputada Marília Arraes, autora do projeto para distribuir absorvente, vetado por Bolsonaro
Foto: Reprodução

"O presidente fez disso uma disputa política, quando na verdade o que a gente quer é unir o Parlamento, unir o país em torno de uma causa que vai ser importante para todas as mulheres e meninas do Brasil". A declaração é da deputada federal pernambucana Marília Arraes (PT), autora do projeto de lei aprovado pelo Congresso que visava distribuir gratuitamente absorventes menstruais para estudantes de baixa renda de escolas públicas e pessoas em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.

A iniciativa foi vetada por Bolsonaro (sem partido), mesmo após ter sido aprovada por unanimidade pela Câmara e pelo Senado. O veto do presidente foi publicado no Diário Oficial da União da quinta-feira (7), argumentando que o texto não estabelece qual seria a fonte de custeio.

Marília Arraes, no entanto, afirmou que o projeto, que faz parte do parcialmente sancionado Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, tinha o objetivo de tornar os absorventes um item essencial para a saúde. Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) seria responsável pelo financiamento.

"Passamos anos debatendo, inclusive com representantes do próprio governo, da liderança do governo na Câmara, e chegamos à conclusão que a fonte de custeio deveria ser o SUS, porque ele sofre um reajuste anual, de acordo com o IPCA, e o valor para o próximo ano vai ser de R$ 3 bilhões, e o custo orçamentário para a implementação desse projeto vai ser na faixa de R$ 85 milhões. Ou seja, é um recurso que dá e sobra", afirmou Marília Arraes.

Bolsonaro sancionou o projeto, criando o Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual, mas vetou o artigo 1º, que previa a distribuição gratuita de absorventes higiênicos, e o artigo 3º, que estabelecia a lista de beneficiárias:

  • estudantes de baixa renda matriculadas em escolas da rede pública de ensino;
  • mulheres em situação de rua ou em situação de vulnerabilidade social extrema;
  • mulheres apreendidas e presidiárias, recolhidas em unidades do sistema penal; e
  • mulheres internadas em unidades para cumprimento de medida socioeducativa.

O presidente vetou, ainda, o trecho que incluía absorventes nas cestas básicas distribuídas pelo Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Para a deputada federal, o veto do presidente tem caráter político.

"Existe uma estimativa de que as meninas faltam [às aulas] cerca de 40 dias por ano por não ter acesso a absorvente. Não é uma causa simplesmente partidária, é o que deve unir o país para trazer mais dignidade para as mulheres e, com certeza, tornar a sociedade que a gente vive muito melhor para todas", afirmou Marília Arraes.

A deputada afirmou, ainda, que o Congresso em geral, tanto na Câmara quanto no Senado, estão coesos em relação à aprovação do projeto.

"Foi muito debatido. A gente conseguiu aprovar por unanimidade, nas duas casas, o projeto tem o objetivo justamente de tornar o absorvente essencial e mostrar que metade da população brasileira é de mulheres, menstrua todos os meses por cerca de 40 anos da sua vida e precisa ter uma política pública direcionado para esse fator, que é para a sua vida, sua natureza, seu corpo", declarou.

Via G1

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