O delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha, de 43 anos, mais conhecido como Da Cunha, admitiu ter encenado uma operação em que liberta um refém de um cativeiro na comunidade da Nhocuné, em São Paulo, realizada em julho de 2020. Ele fez a declaração durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quarta-feira (22).
O titular está afastado do cargo desde julho e é investigado pelo Ministério Publico paulista, que apura se ele enriqueceu de forma ilícita ao usar a estrutura da corporação para proveito próprio, como ganhar dinheiro monetizando vídeos de operações oficiais, o que seria irregular.
Segundo Da Cunha, a intenção era realizar uma reprodução simulada dos fatos, como prova para o processo. “Foi uma decisão minha, no momento. A ‘cana’ [prisão] foi dada, eu que quis novamente registrar a cana. Isso acontece muito em inquérito de homicídios, numa série de inquéritos. Eu queria, o que nós queríamos, é que a população do Brasil entendesse o que é um tribunal do crime”, justificou o delegado.
No entanto, especialista ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo, esclarecem que essa explicação não faz sentido, pois reproduções simuladas são efetuadas exclusivamente por peritos, a pedido de um delegado, para esclarecer dúvidas sobre a dinâmica de um crime. Não ocorrem em prisões em flagrante, como foi o caso da encenação.
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Via Diário do Nordeste