
Funcionários terceirizados do Governo de Pernambuco, que atuam em escolas da rede estadual de ensino, continuam enfrentando atrasos salariais e insegurança financeira em Floresta, no Sertão de Pernambuco. A situação se arrasta sem solução concreta e escancara um impasse administrativo que penaliza diretamente quem está na ponta do serviço público.
Representantes da empresa Unika, responsável pela contratação das merendeiras, estiveram na cidade na tarde da sexta-feira (30), em reunião no auditório da Gerência Regional de Educação de Floresta (GRE). No encontro, a empresa voltou a atribuir os atrasos à falta de repasse financeiro por parte do Governo do Estado.
De acordo com as informações apresentadas, os salários referentes ao mês de dezembro seguem em atraso, com promessa de pagamento apenas para a próxima segunda-feira (2). Já o salário de janeiro está previsto somente para o dia 13 de fevereiro — e ainda condicionado ao repasse estadual. Ou seja, não há garantia concreta de que o problema será resolvido.
O cenário se torna ainda mais grave com a volta às aulas marcada para o dia 3 de fevereiro. Mesmo diante desse prazo, trabalhadores seguem sem respostas claras, enquanto Estado e empresa protagonizam um jogo de empurra que não enche geladeira nem paga contas. O sindicato presente na reunião foi enfático ao defender que não há como iniciar o ano letivo com normalidade enquanto direitos básicos seguem sendo desrespeitados.
Durante a reunião, uma representante da Unika afirmou que a empresa não tem condições financeiras de arcar com os salários sem o repasse do Governo de Pernambuco. Por outro lado, o Estado afirma que os pagamentos foram efetuados. Entre versões contraditórias, quem continua pagando a conta são os trabalhadores, que acumulam dívidas, incertezas e desgaste emocional.
Outro ponto crítico levantado foi o vale-transporte, que estaria há cerca de três anos sem reajuste, mesmo com o aumento constante dos custos de deslocamento. O benefício, que deveria garantir o direito de ir e vir ao trabalho, já não cobre as despesas reais enfrentadas pelos funcionários.
A situação expõe falhas graves na gestão dos contratos de terceirização e levanta um alerta: quando o poder público terceiriza serviços essenciais, a responsabilidade não pode ser terceirizada junto. Falta transparência, falta fiscalização e sobra descaso com quem sustenta o funcionamento das escolas todos os dias.
O Trombone Cidadão segue acompanhando o caso, cobrando posicionamentos oficiais, prazos claros e, principalmente, respeito aos trabalhadores terceirizados do Estado, que não podem continuar sendo vítimas de disputas administrativas enquanto aguardam por um direito básico: o salário.
Via Blog do Elvis



