
O corpo de Alícia Valentina, de 11 anos, que morreu após ser agredida por colegas na Escola Municipal Tia Zita, em Belém do São Francisco, no Sertão de Pernambuco, foi enterrado no final da tarde desta terça-feira (9), no cemitério da cidade.
Familiares, amigos e vizinhos estiveram presentes no cortejo para o enterro, que teve início no final da tarde com destino ao cemitério. De acordo com familiares, os funcionários da escola onde o crime aconteceu não estiveram presentes.
Os familiares de Alícia seguem em busca de respostas sobre os agressores que cometeram o crime e cobram avanço nas investigações do caso.
"Acreditamos que agora que o cortejo acabou, as autoridades nos procurem porque até o momento ninguém da família materna foi ouvida, a não ser a mãe, que ainda está no Recife", disse uma parente de Alícia que pediu para não ser identificada.
O corpo da menina foi velado ainda durante a madrugada, quando o corpo chegou do Recife, onde a menina teve morte cerebral confirmada no Hospital da Restauração. Durante a cerimônia, cerca de 20 colegas da escola de Alícia realizaram uma homenagem à menina. As crianças fizeram uma oração próximo ao caixão.
Investigações
Quatro meninos e uma menina foram os responsáveis pelas agressões a Alícia Valentina. De acordo com o boletim de ocorrência do caso, um dos colegas iniciou o espancamento porque a vítima não quis "ficar com ele".
No atestado de óbito de Alícia, consta que a causa da morte foi "traumatismo cranioencefálico produzido por instrumento contundente". Isso significa que, provavelmente, a menina foi atingida na cabeça com algum objeto.
Prefeitura diz que não houve omissão; mãe contesta
A prefeitura de Belém do São Francisco, voltou a se manifestar sobre a morte da menina Alícia Valentina, de 11 anos, que foi espancada dentro da Escola Municipal Tia Zita. Em nota, a gestão municipal negou omissão e disse que a menina foi retirada do hospital municipal pela mãe, sem autorização médica.
"Esclarecemos, ainda, que não houve negligência médica ou alta hospitalar pelos profissionais de saúde que realizaram o atendimento da menor Alícia Valentina no Hospital do município Dr José Alventino Lima. Salientando que a menor foi levada para casa, por sua mãe, sem autorização da médica plantonista", diz um trecho da nota.
Em entrevista à TV Grande Rio, nesta terça-feira (9), a mãe de Alícia contestou a versão da prefeitura.
“É mentira, a médica não mandou eu aguardar, nem as enfermeiras mandaram eu aguardar, de jeito nenhum. Aplicou a injeção, mandou pra casa. Eu ia ficar fazendo o que lá, aguardando o que se não mandaram?"
Alícia teve morte cerebral confirmada na noite do domingo (7). As agressões na escola aconteceram na tarde da quarta-feira (3). Os familiares relataram que, na quarta-feira, a menina foi levada por funcionários da escola para o hospital municipal de Belém do São Francisco, porque estava com um sangramento no nariz. Ela foi atendida e liberada. Em casa, o ouvido da menina sangrou, a família levou ela no posto de saúde, onde a criança foi atendida e mais uma vez liberada.
Chegando em casa, ela começou a vomitar sangue, e voltou para o hospital municipal de Belém do São Francisco. De lá, teve uma transferência quase que imediata para o hospital de Salgueiro, cidade próxima ao município. Na quinta-feira, devido à gravidade do estado de saúde, ela foi transferida para o Hospital da Restauração, em Recife.
Segundo o boletim de ocorrência do caso, um dos colegas iniciou o espancamento porque a vítima não quis "ficar com ele". Quatro meninos e uma menina foram os responsáveis pelas agressões a Alícia Valentina.
Inicialmente, o caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Belém de São Francisco. Entretanto, depois, a ocorrência foi retificada para lesão corporal seguida de morte. A tia da menina registrou o caso na polícia, já que a mãe estava acompanhando a filha no hospital. Ainda não se sabe quais medidas serão tomadas contra os agressores, a Polícia Civil segue investigando o caso.
Via G1