
Artistas e músicos que se apresentaram no São João 2025 de Floresta, no Sertão de Pernambuco, denunciam que ainda não receberam os cachês referentes às apresentações realizadas durante os festejos juninos deste ano. As queixas apontam que o atraso estaria relacionado a uma crise financeira enfrentada pela Prefeitura Municipal, que também estaria impactando o pagamento de servidores e fornecedores.
A situação gerou indignação na classe artística local, que vê no São João uma das principais oportunidades de trabalho e exposição cultural no calendário anual da cidade.
“A gente ensaia, se prepara, investe em figurino e transporte para subir ao palco. Passa a festa e, depois de mais de um mês, nada de pagamento. É desrespeitoso”, relatou um músico que preferiu não se identificar.
Baixo cachê e atraso no pagamento
A programação oficial do São João nos Bairros 2025 contou com apresentações de nove artistas da própria cidade. Segundo fontes ouvidas pelo Blog do Elvis, cada um deles teria contrato de apenas R$ 1.500,00 por noite. Mesmo com o cachê considerado baixo, até o início de agosto o pagamento ainda não havia sido efetuado.
Enquanto os artistas da terra aguardam o pagamento dos modestos R$ 1.500,00 por apresentação, a dupla Zezé di Camargo & Luciano, contratada para o aniversário da cidade por R$ 490 mil, já recebeu a primeira parcela do cachê — R$ 220 mil antecipados no dia 18 de junho.
Confira a programação e os artistas locais contratados:
1. 13/06 – Karol e Keyla – São João do Comércio (Rua Pereira Maciel, Centro)
2. 20/06 – Rogerinho do Acordeon – Coreto
3. 21/06 – Bah Danadão – São João do Tamarindo (Rua Capitão Emílio Novaes)
4. 27/06 – Vinny Vieira – Quadrilha Tira Saia (Por trás do Parque de Exposição – Caetano II)
5. 28/06 – Nego Jorge – Quadrilha Milho Verde (Rua São Francisco de Assis – DNER)
6. 05/07 – Alysson Novaes – Flor do Vulcão (Rua Elias de Flora – Vulcão)
7. 12/07 – Edinho da Pisadinha – Criança Esperança e Jovem Esperança (Rua Elias de Flora – Vulcão)
8. 18/07 – Manuela Alves – Arraiá das Três Marias (Rua Três Marias – Três Marias)
9. 19/07 – Estenes Souza – Quadrilha Estrela Brilha (Quadra do Santa Rosa – Santa Rosa)
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Falta de transparência
Apesar de o evento ter sido amplamente divulgado nas redes sociais da Prefeitura, a lista oficial das apresentações não foi publicada no Painel de Transparência dos Festejos Juninos. Além disso, a equipe do Blog do Elvis não encontrou nenhum empenho registrado no Portal da Transparência relacionado ao pagamento dos artistas locais até a data desta publicação, o que dificulta o acompanhamento pela população.
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Contraste com o Selo Transparência
A polêmica ganhou ainda mais repercussão porque, no dia 24 de julho, a Prefeitura de Floresta anunciou ter recebido o Selo Transparência 2025 do Ministério Público de Pernambuco. O reconhecimento foi concedido pela suposta responsabilidade e clareza na gestão dos recursos públicos durante os festejos juninos.
Para os artistas que aguardam seus pagamentos, a certificação contrasta com a realidade vivida.
“Não adianta falar de transparência se os trabalhadores que fizeram a festa acontecer não recebem”, disse outro músico local.
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Gastos milionários no aniversário da cidade
O caso também reacendeu o debate sobre a distribuição de recursos para eventos culturais no município. Em junho deste ano, o Governo Municipal gastou R$ 1,4 milhão com cachês de artistas de nome nacional e regional durante as comemorações do aniversário de Floresta, incluindo nomes como Zezé di Camargo & Luciano (R$ 490 mil) e João Gomes (R$ 500 mil). Enquanto isso, músicos locais do São João seguem à espera pelo pagamento de valores bem mais modestos.
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Problema não é isolado
Em todo o estado, músicos e produtores culturais vêm denunciando desigualdade no tratamento entre atrações nacionais e artistas regionais. Segundo levantamento divulgado em junho por veículos especializados, enquanto artistas de renome nacional chegam a receber até R$ 1,1 milhão em cachês, grupos locais enfrentam pagamentos atrasados, valores baixos e até falta de estrutura para se apresentarem.
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Crise financeira e espaço para posicionamento
Postagens recentes em redes sociais indicam que a Prefeitura de Floresta estaria enfrentando dificuldades para honrar compromissos financeiros, situação que estaria afetando não só artistas, mas também prestadores de serviço e servidores públicos.
A reportagem do Blog do Elvis gostaria que a gestão municipal respondesse as perguntas:
Qual o motivo do atraso nos pagamentos?
Qual a previsão para quitação dos cachês?
Como a crise financeira se concilia com a obtenção do Selo Transparência?
A reportagem deixa o espaço aberto para que a Prefeitura se posicione e dê respostas à classe artística local.
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Cultura e valorização
O São João é considerado um dos pilares culturais do Sertão, movimentando a economia local e fortalecendo a identidade regional. Para os artistas, o atraso nos pagamentos não é apenas um problema financeiro, mas um sinal de desvalorização do trabalho cultural.
“A gente não quer luxo, quer apenas receber pelo que fez. É o mínimo de respeito com quem mantém viva a tradição”, desabafou um artista.