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Museu do futebol de quilombo indígena em Carnaubeira da Penha vira destaque no Globo Esporte

Museu do futebol de quilombo indígena em Carnaubeira da Penha vira destaque no Globo Esporte

Redação
Por: Redação
19/04/2018 às 08h40 Atualizada em 19/04/2018 às 11h40
Museu do futebol de quilombo indígena em Carnaubeira da Penha vira destaque no Globo Esporte
Foto: Reprodução

Um lugar onde as aldeias resistem. Onde as tradições são mantidas e ressignificadas a partir da união de dois povos: os negros e os índios Pankará. Mescla da história de resistência dos quilombos com a cultura indígena. É assim a vida dos habitantes da Comunidade Tiririca dos Crioulos, no Sertão de Pernambuco, situada na cidade de Carnaubeira da Penha, a mais de quinhentos quilômetros do Recife. O caminho até lá é tortuoso. Bodes, bois e cactos em meio a quase uma hora de estrada de terra. Rodeados por serras e com um jeito próprio de se organizar, os habitantes da Tiririca cultivam uma paixão que ao longo dos anos tem unido ainda mais os seus descendentes: o futebol.

"O futebol pra nós é uma coisa boa, porque durante o tempo que você participa você se desliga de outras coisas. Para a gente aqui, o futebol é transmitido como uma festa, como uma alegria", diz Douglas Bandeira, uma dos principais representantes do esporte na comunidade.

Torneios entre aldeias, contra cidades vizinhas ou apenas o velho bate-bola entre amigos e familiares renderam aos moradores da comunidade alguns troféus e muitas recordações de suas conquistas. Sem o status dos grandes campeonatos, tudo muito modesto, como a vida que eles levam. Mas isso não torna essas lembranças algo menos importante. Foi a partir dessa compreensão que Douglas e "a nova geração da bola" da Tiririca dos Crioulos resolveram criar um movimento de resgate e memória dentro da comunidade. Nasceu o Museu do Futebol dos Bandeirantes.

- Após ter muitas conquistas, troféu espalhado, medalha na casa de um e de outro, um certo dia o pessoal da casa de uns dos nossos amigos foi fazer uma faxina e a vassoura tocou numa taça que tava no armário. Ela caiu no chão e quebrou. Aí desse tempo para cá, eu tive uma ideia para nós pararmos de perder aquilo que a gente ganhou com tanto suor. Resolvemos fazer um espaço para colecionar nossa história. O nosso próprio museu do futebol - afirmou Douglas. Casa de taipa que abriga o Museu do Futebol dos Bandeirantes (Foto: Reprodução)

Foi aí que ele construiu com as próprias mãos a estrutura que abrigaria o espaço: uma pequena casa de taipa e toras de madeira. O museu foi abastecido com itens modestos, mas cheios de significados para o quilombo-indígena. Além de taças, medalhas, fotografias e camisas antigas, o povo de Tiririca também deu um jeito de representar as premiações mais diferentes. Chifres de bode, em lembrança do bode que serviu de prêmio, ou telhas com letras escritas a lápis das recordações daquelas conquistas.

"Era um carneiro, um peru, um bode... Quando não tinha troféu nem medalha, nunca deixou de ter prêmio para gente celebrar com o povo da comunidade, numa cantoria depois do futebol debaixo da quixadeira."

O Museu do Futebol - que fica próximo ao campinho de futebol da Tiririca - virou um ponto de encontro e motivo de orgulho para o povo de Douglas, em especial os mais jovens. Para os mais velhos, a repercussão de um espaço tão simples foi motivo de surpresa.

- A gente sabe que isso é um conhecimento e acima de tudo uma forma de mostrar para o mundo que nós existimos e aqui é muito importante - comemora o pai de Douglas, Roberto de Mané Miguel.

Uma repercussão que foi muito além do sucesso entre os habitantes da comunidade. O Museu do Futebol dos Bandeirantes chamou a atenção do Museu do Futebol de São Paulo. Situado no estádio Pacaembu, o local tem um longo acervo que demonstra o futebol como uma grande expressão da cultura brasileira.

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