
A Barragem do Juá, localizada na zona rural de Floresta, no Sertão de Pernambuco, enfrenta uma situação crítica. Com menos de 10% de sua capacidade de armazenamento, o reservatório já compromete o abastecimento de água para comunidades rurais, agricultores, criadores de animais e pescadores que dependem diretamente do manancial.
Em visita ao local, a equipe do Blog do Elvis ouviu moradores da região, que fizeram um apelo aos órgãos responsáveis para que seja ampliada a liberação de água da Barragem de Muquém, garantindo a recuperação do volume da Barragem do Juá e evitando o agravamento da crise hídrica.
Segundo os moradores, a vazão atualmente liberada por Muquém não é suficiente para repor a água que sai do reservatório. Eles afirmam ainda que parte desse volume se perde ao longo do percurso até chegar à Barragem do Juá, acelerando a redução do nível do manancial.
"Tudo o que a gente quer é a descarga de Muquém para abastecer aqui a Barra do Juá e resolver a nossa situação, principalmente dos animais e também dos agricultores do Riacho do Navio. Nós estamos prejudicados e eles também. A gente quer solução para todos", afirmou uma moradora.
A comunidade também relembra que houve um período em que a Barragem de Muquém deixou de liberar água, o que teria contribuído para a situação atual. Para os moradores, é necessário recompor o volume do reservatório antes que novas liberações sejam feitas para atender outras localidades.
Os impactos já são sentidos por quem vive da água da barragem. Agricultores relatam perdas nas plantações, criadores enfrentam dificuldades para manter os rebanhos e pescadores afirmam que a atividade está praticamente paralisada.
"Tem gente perdendo a roça por falta de água. Os pescadores já não conseguem colocar a canoa dentro da barragem porque o lodo tomou conta, e os peixes começam a morrer", relatou um morador.
Outro representante da comunidade destacou que, durante a implantação do Projeto de Integração do Rio São Francisco, foi assegurado que a Barragem do Juá receberia abastecimento suficiente para atender tanto os moradores da região quanto os produtores rurais localizados abaixo da barragem. Segundo ele, essa garantia precisa ser cumprida para preservar o reservatório e assegurar água para todos os usuários.
A situação preocupa os moradores porque a estiagem mais intensa ainda não começou. Eles temem que, sem uma ação rápida dos órgãos responsáveis, o reservatório entre em colapso total nos próximos meses, agravando ainda mais os prejuízos econômicos e sociais na zona rural de Floresta.
O Blog do Elvis continuará acompanhando o caso e buscará posicionamento dos órgãos responsáveis sobre as medidas que poderão ser adotadas para garantir a recuperação da Barragem do Juá e a segurança hídrica das comunidades atendidas pelo reservatório.
Em nota a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) emitiu a seguinte nota de esclarecimento:
A Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) esclarece que, no dia 7 de julho de 2026, foi realizada reunião sob a coordenação do Conselho Gestor do Açude Barra do Juá, colegiado instituído e homologado por resolução do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, para deliberar sobre a alocação de água proveniente do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) destinada ao Sistema Hídrico Barra do Juá, localizado no município de Floresta, nas proximidades das barragens de Muquém e Barra do Juá, no Sertão de Pernambuco.
O encontro reuniu representantes dos diversos segmentos de usuários da água e dos órgãos envolvidos na gestão dos recursos hídricos. Na ocasião, foram apresentados e discutidos os aspectos técnicos que fundamentam o processo de alocação, incluindo o Plano Operativo Anual do reservatório, as condições hidrológicas e operacionais do sistema, a situação regulatória vigente, as cotas e volumes armazenados, os usos sujeitos à Resolução Conjunta ANA/Apac e as vazões máximas previstas para o período de vigência do Plano de Gestão Anual (PGA) 2026.
Ao final da reunião, foi firmado o Termo de Alocação de Água do sistema composto pelo Reservatório Barra do Juá e pelo Riacho do Navio, no trecho a jusante até sua confluência com o Rio Pajeú, estabelecendo as condições de operação para o período de junho de 2026 a maio de 2027.
Após a formalização da alocação, moradores que não participaram da reunião manifestaram preocupação quanto ao volume de água definido, argumentando que a vazão prevista seria insuficiente para atender às demandas de abastecimento e aos demais usos da água nas áreas a montante e a jusante do sistema.
Em atenção às manifestações recebidas, a Apac encaminhou solicitação à Operadora Federal do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), requerendo a análise da possibilidade de ampliação da vazão liberada. Contudo, em resposta ao pleito, foi informado que, neste momento, não é possível promover alterações nos volumes previamente alocados, em razão de limitações operacionais do sistema.
A Apac reafirma que o processo de alocação de água é conduzido de forma participativa, transparente e com base em critérios técnicos, considerando a disponibilidade hídrica, a segurança operacional do sistema e os múltiplos usos da água. A Apac permanece acompanhando a situação e seguirá dialogando com os usuários, o Conselho Gestor e as instituições envolvidas, buscando soluções que conciliem as necessidades da população com a gestão sustentável dos recursos hídricos.
Via Blog do Elvis








