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Sintepe denuncia irregularidades de “reformas milionárias” em escolas públicas de Pernambuco

Segundo a entidade, mais de R$ 180 milhões foram destinados pelo Governo de Pernambuco para obras em cerca de 868 unidades escolares

Redação
Por: Redação Fonte: Diário de Pernambuco
23/05/2026 às 11h19
Sintepe denuncia irregularidades de “reformas milionárias” em escolas públicas de Pernambuco

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) denunciou, nesta sexta-feira (22), suspeitas de irregularidades em contratos milionários de manutenção e reforma de escolas da rede estadual de ensino.

Segundo a entidade, mais de R$ 180 milhões foram destinados pelo Governo de Pernambuco para obras em cerca de 868 unidades escolares, mas inspeções realizadas pelo sindicato apontaram problemas estruturais persistentes e inconsistências nos boletins de medição utilizados para comprovar a execução dos serviços.

A denúncia foi apresentada durante coletiva de imprensa realizada na sede do sindicato, no Recife.

O levantamento, segundo o Sintepe, começou após denúncias já divulgadas pela imprensa e análises feitas a partir de documentos públicos retirados do Portal da Transparência do Governo do Estado.

“Cadê a reforma da minha escola? Foram mais de R$ 180 milhões destinados para essas obras. O que encontramos nas escolas foi um cenário completamente diferente do que consta oficialmente nos documentos”, afirmou o diretor de comunicação do Sintepe, Alceu Domingues.

De acordo com a entidade, os contratos investigados foram executados pela empresa Cetus Construtora, responsável por serviços de manutenção e reforma em dezenas de unidades escolares do estado.

A Secretária de Comunicação, Magna Katariny, afirmou que a denúncia surgiu após a entidade identificar que as condições encontradas nas escolas não condizem com os serviços registrados oficialmente.

“Estamos falando de infiltrações, mofo, risco elétrico, fiação exposta, banheiros sem funcionamento adequado e estruturas comprometidas. São problemas que colocam em risco estudantes e trabalhadores”, disse.

Sindicato aponta inconsistências em boletins de medição

Além dos problemas estruturais encontrados nas unidades escolares, o Sintepe afirma ter identificado inconsistências nos boletins de medição e nos relatórios fotográficos apresentados para comprovar a execução das obras.

Segundo a entidade, entre os principais indícios encontrados estão a reutilização das mesmas fotografias em medições diferentes, uso de imagens de outras escolas em relatórios distintos, divergências entre os serviços registrados e a situação encontrada nas unidades, além de inconsistências em medições de limpeza, pintura, climatização e manutenção elétrica.

Na Escola Técnica Estadual Professor Agamenon Magalhães (ETEPAM), no Recife, que recebeu R$ 2,3 milhões para reformas, o sindicato afirmou ter identificado fotografias repetidas em diferentes boletins de medição.

“A comparação entre os registros anexados ao Boletim de Medição 09, de dezembro de 2025, e ao Boletim de Medição 10, de janeiro de 2026, mostra a reutilização das mesmas imagens para justificar medições em períodos diferentes”, apontou Alceu.

Segundo a entidade, imagens utilizadas nos relatórios da ETEPAM também aparecem em documentos de outras unidades, como o EREM Clóvis Beviláqua e o EREM Oliveira Lima.

Na EREF João Barbalho, localizada na Boa Vista, no Recife, o sindicato afirma ter encontrado fotografias anexadas aos boletins com endereços incompatíveis com a unidade escolar.

“Embora a Ordem de Serviço indique que os trabalhos deveriam ocorrer na Rua do Hospício, parte das imagens utilizadas para justificar os pagamentos apresenta legendas de endereços completamente diferentes, localizados nos bairros do Brejo do Beberibe e Vasco da Gama”, informou o Secretário.

Outro ponto destacado envolve divergências entre os serviços registrados e o que foi constatado presencialmente. Em algumas escolas, os boletins apontam instalação de aparelhos de ar-condicionado, pintura, recuperação estrutural e manutenção elétrica, mas as unidades seguem apresentando infiltrações, mofo, salas sem climatização e risco elétrico.

Via Diário de Pernambuco 

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