A morte anunciada do Rio Pajeú no Sertão Pernambucano
A morte anunciada do Rio Pajeú no Sertão Pernambucano
Por: Redação
16/09/2015 às 21h38Atualizada em 17/09/2015 às 00h38
Foto: Reprodução
Se o cantor nordestino Luiz Gonzaga estivesse vivo hoje, talvez uma das suas músicas mais famosas não existisse. O Riacho do Navio está seco e o peixe da canção não teria como nadar. Foi refletindo sobre isso que o Blog do Elvis percorreu alguns trechos de riachos e o Rio Pajeú no município de Floresta, no Sertão de Pernambuco. A cena é desoladora.
Travessia do Rio Pajeú pode ser feita hoje sem molhar os pés. Foto: Blog do Elvis/NE10
O rio que antes banhava o município agora está completamente seco. A pouca água que ainda insiste em passar por alguns trechos é muitas vezes resultado do despejo de esgoto sem tratamento. A algaroba é a única espécie de árvore que domina o leito assoreado do rio que agoniza há anos por uma providência do governo.
Algaroba é uma das poucas árvores que têm resistido à seca, apesar de prejudicar outras espécies da caatinga. Foto: Blog do Elvis/NE10
A seca tem trazido efeitos drásticos na paisagem do Sertão Nordestino. Há anos não cai chuva suficiente para encher os reservatórios e açudes. A barragem de Serrinha, no município de Serra Talhada, é um bom exemplo da situação crítica que vive hoje o sertanejo. Além de estar praticamente no volume morto, uma toxina na água está inviabilizando o consumo por humanos.
O vaqueiro Bruno Nascimento, 22 anos, lamenta a situação que se encontra o rio Pajeú, na zona rural do município de Floresta. "Ver um rio desse jeito é triste demais. Quando tinha água era muito bom. Tinha fartura e podíamos plantar roça, mas agora não dá", comenta o jovem.
Assoreamento do rio Pajeú é "areia que vem sendo jogada para debaixo do tapete" há anos. Foto: Blog do Elvis/NE10
A água que sai das comportas da barragem de Serrinha é que alimenta o Rio Pajeú. Devido a previsão de estiagem nos próximos meses, a liberação do líquido não está sendo feita. Quem sofre com isso também são os pequenos agricultores que acabam ficando sem água para produzir.
O deputado federal Kaio Maniçoba (PHS) e o estadual Rodrigo Novaes (PSD) discursaram em Brasília e no Recife nesta quarta-feira (16) cobrando providências.
Relembre a música Riacho do Navio, de Luiz Gonzaga:
Riacho do Navio
Corre pro Pajeú
O rio Pajeú vai despejar
No São Francisco
O rio São Francisco
Vai bater no "mei" do mar
O rio São Francisco
Vai bater no "mei" do mar
Ah! se eu fosse um peixeAo contrário do rioNadava contra as águasE nesse desafioSaía lá do mar proRiacho do NavioEu ia direitinho proRiacho do NavioPra ver o meu brejinhoFazer umas caçadaVer as "pegá" de boiAndar nas vaquejadaDormir ao som do chocalhoE acordar com a passaradaSem rádio e nem notíciaDas terra civilizadaSem rádio e nem notíciaDas Terra civilizada.
POLÊMICA - Mas, o que se pode fazer em um caso como esse? A seca pegou de surpresa o poder executivo? Não poderíamos ter evitado isso com ações preventivas? E a transposição do Rio São Francisco que não sai do papel? Até quando vamos continuar assim?
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