
Oncologista Jurema Telles apresentou a estratégia pernambucana que integra prevenção, cuidado e equidade em saúde
A COP30 Pastoral, realizada no Polo da Faculdade Católica de Belém nesta sexta-feira (14/11), reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir saúde, sustentabilidade e justiça social. Um dos principais destaques do evento foi o painel apresentado pela médica oncologista Jurema Telles, coordenadora da Oncologia do IMIP e do Programa Útero é Vida, iniciativa da desempenhada junto a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Durante sua fala, Jurema reforçou que a eliminação do câncer do colo do útero precisa ser reconhecida como uma pauta de justiça climática e social, especialmente em territórios mais vulneráveis às desigualdades ambientais.
“Eliminar o câncer do colo do útero é um ato de justiça, tanto climática quanto social. É garantir que nenhuma mulher seja deixada para trás, sobretudo aquelas que vivem nas regiões mais impactadas pelas desigualdades ambientais”, afirmou. Ela destacou que mais de 60 países ainda têm o câncer do colo do útero como a principal causa de morte por neoplasia entre mulheres e lembrou a dimensão global do problema: “Já morreram 130 mil mulheres por esse câncer. Precisamos do comprometimento de todos nessa causa.”
A médica chamou atenção para a relação direta entre crise climática e barreiras no acesso à prevenção. “Quem faz prevenção no meio de uma enchente ou de uma seca? Os dados mostram que esse impacto é muito profundo. A gente precisa cuidar da saúde das pessoas, porque, sem isso, quem vai cuidar do ambiente?”, questionou. Segundo ela, reconhecer o papel central das mulheres para o equilíbrio ambiental torna ainda mais urgente garantir que elas tenham acesso ao cuidado. “A mulher tem uma importância enorme para cuidar da vida e do ambiente. Temos que dar conta desse desafio.”
Jurema também enfatizou as desigualdades regionais, citando a situação do Pará: “A mortalidade do Pará é quase seis vezes a média do Brasil. É uma prioridade atuar juntos.” E reforçou ainda a importância de alinhamento com a meta global estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “A OMS colocou a eliminação do câncer do colo do útero em três pilares: vacinação, rastreamento e cuidado integral.”
O Programa Útero é Vida, fruto de uma cooperação técnica do Governo de Pernambuco e a Organização Panamericana de Saúde, estrutura justamente esses três eixos: vacinação contra HPV, testagem e rastreamento organizado, ampliando o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce. “Quando ampliamos o acesso à vacina, ao teste de HPV e ao rastreamento, protegemos vidas e fortalecemos comunidades inteiras”, completou a oncologista.