
O vício em apostas — especialmente online — deixou de ser apenas uma preocupação individual para se tornar uma questão de saúde pública e um desafio para o sistema previdenciário brasileiro. Dados recentes revelam que as concessões de auxílio-doença por ludopatia, como é chamada a compulsão por jogos de azar, dispararam mais de 2.300% entre junho de 2023 e abril de 2025.
Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 276 benefícios por incapacidade temporária foram concedidos nesse período a trabalhadores diagnosticados com vício em apostas. Antes disso, a média anual girava em torno de 11 casos. O crescimento abrupto acende um alerta tanto para autoridades quanto para empresas e famílias.
O perfil predominante dos segurados afastados chama atenção: homens jovens, entre 18 e 39 anos, em plena idade produtiva. Estima-se ainda que 7% dos beneficiários tenham filhos ou dependentes, ampliando os impactos sociais e econômicos da condição.
As unidades da federação mais afetadas são São Paulo (95 casos), Minas Gerais (39) e Bahia (18). A popularização de casas de apostas digitais e a ausência de políticas públicas preventivas são apontadas como os principais motores dessa escalada.
Especialistas alertam para um cenário preocupante: o sistema previdenciário não possui protocolos específicos para avaliar a ludopatia em perícias médicas, tampouco há diretrizes clínicas claras para tratamento pelo SUS. Isso contribui para decisões judiciais e administrativas desencontradas, ampliando a insegurança jurídica e institucional.