
A ostomia é um procedimento cirúrgico que cria uma abertura na parede abdominal para a eliminação de resíduos corporais, sejam fezes ou urina, quando o sistema natural não está funcionando adequadamente. O paciente utiliza uma bolsa coletora que deve ser esvaziada e trocada regularmente. Recentemente, o procedimento ficou conhecido após a cantora Preta Gil, que faleceu em julho deste ano, passar a usar a bolsa depois do diagnóstico de câncer colorretal, também conhecido como câncer do intestino.
O Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru, é referência para atendimento de pacientes ostomizados no interior do estado e atende, atualmente, 289 pessoas nessa condição. Mensalmente, o grupo se reúne para discussão de direitos, cuidados e, ainda, apoio psicológico.
Nesta terça-feira (26), o grupo se reuniu com as residentes da residência multiprofissional em cuidados paliativos, a assistente social Dalila Sande e a fisioterapeuta Márcia Ferreira, e discutiu, dentre outras coisas, a gestão da dor, o tratamento de sintomas como ansiedade e constrangimento, o apoio emocional para aceitação da condição e a adaptação às mudanças na vida diária, como a rotina de cuidados com a bolsa coletora e a manutenção da vida social e profissional.
“É sempre uma reunião muito produtiva. Primeiro, porque a gente partilha muitos conhecimentos. Eles trazem as dúvidas e inquietações que eles têm. A gente sempre proporciona que esses momentos de atenção, eles sejam envoltos de profissionais da área de saúde, que possam falar sobre direitos, sobre cuidados de saúde, sobre como ele vai usar o dispositivo de ostomia dele, porque é um momento muito novo, não só para o paciente, mas também para os familiares”, explica Renata Florêncio, chefe da Unidade Psicossocial e assistente social dos ostomizados do HRA.
Paciente ostomizado há 31 anos, consequência de um câncer colorretal, o aposentado Severino Pedro da Silva, de 75 anos, faz parte do núcleo do HRA desde a sua abertura, 16 anos atrás. “Eu fiz a cirurgia depois de um câncer e comecei me tratando no Hospital Barão de Lucena. Quando abriu aqui, pude ficar perto de casa, faz mais de 15 anos. O tratamento daqui é muito bom, tem muito cuidado. Faço questão de vir toda reunião”, conta.
A condição do agricultor Severino é permanente, mas não o impede de realizar suas tarefas diárias. Segundo Renata, as conversas mensais também são importantes para fortalecer a autonomia dos pacientes. “Os encontros propiciam essa discussão socioeducativa e a partilha entre eles de situações cotidianas, fortalecendo uns aos outros e compartilhando sentimentos de empoderamento”, completa a assistente social que atua no serviço há 16 anos.
“Eu vivo normalmente. Eu quero viver, eu tenho essa vontade de viver. Eu trabalho na roça ainda, me alimento direitinho, cuido da minha bolsa com cuidado. A bolsa não atrapalha minha vida”, ressalta o aposentado, que mora em Caruaru.
A ostomia pode ser permanente ou temporária, dependendo da condição de saúde do paciente. Ela pode ser necessária devido a várias condições médicas, como câncer, doenças inflamatórias intestinais, malformações congênitas e até traumas causados por acidentes de trânsito.
Os pacientes ostomizados que desejarem atendimento no Hospital Regional do Agreste devem procurar o Setor de Ostomia, no Núcleo de Reabilitação da unidade, de segunda a sexta-feira, das 8h às 13h. O telefone para contato é o (81) 3719-9366.