
A família de Bonifácio Tomé da Silva Filho, de 28 anos, agricultor serra-talhadense, morador do Assentamento Poldrinho, na zona rural de Serra Talhada, morto com cerca de onze disparos de arma de fogo na noite dessa quinta-feira (10), procurou a redação do Farol nesta sexta-feira (11), indignada com o desfecho trágico do fato.
De acordo com a família, Bonifácio Filho não tinha antecedentes, não praticou qualquer tentativa de assalto antes de ser morto, e agiu após um surto psicótico. A vítima já teve várias internações psiquiátricas, e só não foi conduzido ao hospital, porque o atendimento teria sido negado pelo SAMU.
“Ele não roubou moto como estão dizendo, ele não é ladrão. Ele já foi internado várias vezes, era um agricultor. Não podia beber, e bebeu. Quando ele bebe endoida. Só que a família procurou o Samu e o Samu não ajudou. A irmã dele parou a viatura da polícia e pediu aos policiais ajuda, se podiam pegar ele. Então, o policial respondeu que só se tivesse matando ou dando em alguém”, relatou Maria Lúcia da Silva, 49 anos, prima de Bonifácio.
A parente disse que os familiares estão passando por um forte momento de dor, e durante a entrevista, também comentou o episódio ocorrido no pátio da Delegacia de Polícia, no bairro AABB.
“Ele (Bonifácio) foi para delegacia prestar um boletim de ocorrência e ninguém o ajudou. Mandaram ele ir embora. Era para ter algemado ele ali e levado para o hospital. Então, acho que teve omissão de socorro. Ele era um homem do mato e vivia do trabalho. Esse menino nunca pegou em arma. Há uma revolta muito grande sobre o que aconteceu”, reforçou Maria Lúcia da Silva, que reside no bairro Tancredo Neves, e é vendedora.