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“Como vou levar uma criança para dentro de um cabaré?”, diz mãe de Arthur

Giovana Ramos, de 20 anos, deu detalhes de como era a vida ao lado do filho em uma entrevista. Ela alega que deixou Arthur Ramos, de 2 anos, sob os cuidados de outra pessoa pois precisava trabalhar

Redação
Por: Redação Fonte: Diário de Pernambuco
21/03/2025 às 15h51 Atualizada em 21/03/2025 às 21h29
“Como vou levar uma criança para dentro de um cabaré?”, diz mãe de Arthur

Muitas dúvidas ainda cercam a história do jovem garoto Arthur Ramos do Nascimento, de 2 anos, assassinado brutalmente no último dia 16 de fevereiro, na cidade de Tabira, no Sertão de Pernambuco. O crime chocou o Estado pela tamanha crueldade cometida contra o menino, que foi vítima de vários tipos de violência antes de morrer.

Desde de cerca de dois meses antes do crime, Arthur estava sob os cuidados de Giselda da Silva Andrade, de 30 anos, que está presa, e Antônio Lopes Severo, de 42 anos, que foi linchado pela população local ao ser detido pela polícia no último dia 18 de fevereiro. Ambos foram indiciados pela morte do garoto.

A mãe do menino, Giovana Ramos, 20, deu detalhes sobre como era a vida ao lado do filho. Ela participou de uma entrevista ao LW Cast, na tarde desta quinta-feira (20). 

Um dos maiores questionamentos sobre o caso, é o motivo da estadia tão longa do garoto com pessoas fora do ciclo familiar, já que a família de Giovana mora em Americana, no interior do Estado de São Paulo, mas uma avó e uma tia dela moram em Tabira.

“Minha minha avó não ia aguentar o Arthur por ser idosa, não ia conseguir controlar meu filho, porque senão eu deixava. A minha tia tem a família dela, tem o serviço dela e o marido, ela nunca quis, nunca se manifestou para cuidar da criança”, se defendeu.

 

Giovana justifica que precisou deixar o filho sob os cuidados de Giselda para ir trabalhar, após ter decidido se mudar para Tabira, cidade onde já viveu. Ela disse que precisou se prostituir para conseguir se sustentar e mandar dinheiro para o filho, e que não tinha condições de cuidar da criança diante dessa realidade.

“Como que eu vou levar uma criança para dentro de um cabaré? Como que eu vou levar uma criança para um ambiente que é pesado, com prostituição e droga, tem todo tipo de gente, eu não ia levar meu filho para isso. Por isso que eu tinha confiança, eu confiei nela (Giselda) e esse foi meu erro todo”, alegou.

 

“Eu conheci Giselda e ela sempre me deu apoio, não é só amizade de droga, porque maconha, a gente usava a nossa maconha, se fosse outra droga nós estaríamos nos prejudicando, mas nunca aconteceu. O histórico dos filhos de Giselda, eles nunca estavam ‘jogados’, sempre estavam bem cuidados, não era só eu que confiava nela, tinha outras mãe que confiavam”, complementou.

 

Segundo Giovana, foi a primeira vez em que Arthur ficou integralmente sob os cuidados de Giselda por tanto tempo. O garoto estava com ela desde o fim de dezembro. Antes disso, Giselda apenas ajudava a mãe do menino cuidando dele em ocasiões esporádicas.

 

“Não foi a um desconhecido que entreguei meu filho, e acabou, não sou louca da cabeça”, falou.

 

Giovana disse que tem sido difícil lidar com o luto do filho e que está lutando contra uma depressão. “Estou me dopando, a verdade é essa. Quando começa o pensamento eu me dopo e esse 'tá' sendo meu erro, porque eu ‘tô’ entrando mais cada vez mais, me afundando na depressão”.

 

De acordo com ela, a força para continuar vivendo é seguir pedindo justiça pelo filho, independente das consequências.

 

“Eu só tô aqui hoje porque eu vou até o fim, foi o que eu sempre disse desde que eu abri a minha boca. Agora eu vou até o fim, o que vai acontecer comigo depois, aí não importa. Eu vou lutar porque o Arthur não era uma criança ‘jogada’ igual o pessoal diz”, explicou.

 

Processo

Recentemente, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), solicitou a investigação de uma possível ligação de Giovana no crime que tirou a vida de seu próprio filho. O órgão também solicitou outros esclarecimentos do caso à Polícia Civil de Pernambuco.

 

Sobre ser alvo da investigação, Giovana disse: “Se for para ser presa, eu vou ser presa, eu não ligo, eu não tenho medo, eu quero só a justiça pelo meu filho”.

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