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Remédios para varíola dos macacos não estão disponíveis no Brasil por falta de aval da Anvisa

Remédios para varíola dos macacos não estão disponíveis no Brasil por falta de aval da Anvisa

Redação
Por: Redação
24/05/2022 às 16h58 Atualizada em 24/05/2022 às 19h58
Remédios para varíola dos macacos não estão disponíveis no Brasil por falta de aval da Anvisa
Foto: Reprodução

Os medicamentos existentes para o tratamento da varíola não estão disponíveis para comercialização no Brasil. Remédios como brincidofovir, tecovirimat e cidofovir não têm aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que impede o seu uso e venda no país.

Não há casos registrados da doença no Brasil até agora, mas o Ministério da Saúde já criou uma sala de situação para monitorar a evolução dos casos pelo mundo e os riscos da entrada da varíola do macaco no Brasil.

Segundo a Anvisa, o registro mais recente de medicamento contra a doença expirou em 2010 — era o antiviral cidofovir. A falta de tratamentos aprovados pode expor a população a riscos caso a doença, já confirmada em 19 países, chegue ao Brasil. Integrantes da agência ouvidos em caráter reservado pelo GLOBO afirmaram monitorar a situação, mas, por ora, nenhuma decisão foi tomada.

Questionada pelo GLOBO, a Anvisa afirmou que só existe autorização para um medicamento indicado para uso em um outro tipo de varíola, que não serviria para a variante dos macacos. “Não há medicamentos com indicação pra tratamento de varíola no Brasil. Existe registro para a substância doxiciclina que é indicada para 'varíola por riquétsia', que se trata de uma outra variação da doença. Não há registro de brincidofovir (ou só o cidofovir) e tecovirimat. Para cidofovir já houve registro, mas está caduco desde 2010”, diz a nota.

A autorização para uso emergencial, modalidade criada pela Anvisa para acelerar a análise durante a pandemia, se restringe a vacinas e a remédios contra a Covid-19. Esse cenário, contudo, pode mudar diante da avaliação do cenário epidemiológico e das possibilidades de enfrentamento à varíola dos macacos, sustenta a agência.


Segundo o Ministério da Saúde, não há casos suspeitos ou confirmados no Brasil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que há mais de 250 infecções confirmadas e suspeitas de varíola dos macacos no mundo. A maioria se concentra na Europa, mas existem registros nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália, em Israel e nos Emirados Árabes Unidos. República Tcheca e Eslovênia relataram os primeiros diagnósticos nesta terça-feira.

Segundo especialistas, as vacinas disponíveis contra a varíola humana, que teve a erradicação declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980, também fornecem proteção contra essa versão da doença. Os Orthopoxvirus — nos quais se inclui o Varíola vírus — são capazes de promover a chamada imunidade cruzada, quando o sistema imunológico usa defesas prévias desenvolvidas contra um micro-organismo para combater outro parecido. Não há, contudo, um imunizante específico contra a varíola dos macacos.

Endêmica na África, o espalhamento da doença por países que não tiveram contato com o continente ainda é um mistério para cientistas. Possíveis surtos podem ser controlados por medicamentos

A transmissão ocorre, geralmente, de animais para pessoas em florestas da África Central e Ocidental. Entre humanos, o ministério aponta que o contágio é considerado moderada e ocorre, sobretudo, por meio do contato com secreções respiratórias, lesões de pele ou objetos contaminados. Quanto a gotículas respiratórias, deve haver maior proximidade com o paciente. Além disso, há a possibilidade de infectar através de fluidos corporais.

Via Folha de Pernambuco.

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