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Exposição exibida Floresta, do pernambucano Carlos Mélo, que reflete sobre vestígios da morte, agora está em Olinda

Exposição exibida Floresta, do pernambucano Carlos Mélo, que reflete sobre vestígios da morte, agora está em Olinda

Redação
Por: Redação
19/07/2021 às 12h03 Atualizada em 19/07/2021 às 15h03
Exposição exibida Floresta, do pernambucano Carlos Mélo, que reflete sobre vestígios da morte, agora está em Olinda
Foto: Reprodução

Segundo o viés da psicanálise das artes plásticas, toda obra traz consigo o intuito básico do embalsamento, ao preservar algo contra os males do tempo e da degradação. Por outro lado, foi com o objetivo de romper com esse receio e aceitar o fenômeno da morte que o artista pernambucano Carlos Mélo desenvolveu sua nova exposição, Ver_me, inaugurada na última quarta-feira (14).

Leia também: Exposição "ver-me" do artista Carlos Mélo é inaugurada em Floresta, PE

A série, que fica aberta a visitações até 17 de outubro, está montada na galeria 02 do Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda. A instalação é o resultado do edital de ocupação do espaço promovido pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper) e traz três peças: uma escultura de ossos, um painel de neon que expõe o nome da mostra e um díptico de desenhos, de quando Carlos foi vencedor do Prêmio Marcantônio Vilaça de Artes Plásticas em 2006.

O projeto, que surgiu no início da pandemia, faz em seu título um jogo de palavras e flexões semânticas, levando a refletir tanto sobre “ver a si mesmo” como sobre o símbolo do “verme”, que causa a renovação dos corpos. Já os desenhos integram a série Abismos, na qual são representados esqueletos, microfones, cabelos e flores.

Contudo, o que chama mais a atenção é inevitavelmente o grande pilar ósseo no meio da galeria. Advinda da série Sobre-Humanos, a obra tem 2,3m de comprimento e utiliza ossos bovinos entrelaçados, causando diferentes reações do público. “A princípio há um estranhamento, as pessoas não sabem se aquilo é osso de verdade ou de qual animal. Tem muita gente que vê diretamente essa questão da morte, mas tem quem ache que é o esqueleto de um ser estranho, que não existe”, conta Carlos.

Essa, porém, não é a primeira vez que o artista trabalha com tal matéria-prima. Carlos já levou a técnica em seus últimos trabalhos, desde a feira Zona Maco no México, até a comunidade quilombola Barro Branco em Belo Jardim, Agreste de Pernambuco. Para ele, mesmo que contraditório, o osso tem o potencial simbólico para nos lembrar do real e vivo. “É um tipo de matéria-prima que sequestra muito a nossa percepção para algo que escapa do nosso cotidiano, que está dentro de todos nós. É a estrutura do nosso corpo e este é o ponto central da minha obra”.

Discussão 

Aqui, o material é usado como representação da ideia de vestígios e de parte natural do fluxo da vida. Como descreve o curador Allan Yzumizawa: “Carlos Mélo nos faz enfrentar e aceitar a coexistência dos polos: vida e morte. Desse modo, por meio do contexto atual em que somos atravessados por uma pandemia, a exposição torna-se uma meditação sobre a vida e o luto, em respeito ao grande número de perdas de vidas devido à má gestão do Governo Federal”.

A correlação com a morbidez dos dias atuais não é apenas coincidência, mas uma defesa do idealizador para que a arte também questione tais temas. “Discute-se no campo da ciência e da política. Por que não discutir essa questão de vida, de morte, de vírus e de crise sanitária também na arte? Ela é uma plataforma muito eficiente de discussão e acho que tem a função de criar esses confrontamentos”, indaga Carlos.

Ainda na próxima semana, o artista irá inaugurar uma outra exposição em São Paulo, na galeria Kogan Amaro. Com apoio da Lei Aldir Blanc, ele vai levar parte da sua série de esculturas Overlock. A mostra, que reflete sobre o Nordeste industrial e contemporâneo, faz uso de tecidos desenvolvidos por uma comunidade de artesãs em Riacho das Almas, Agreste pernambucano, com resíduos têxteis reciclados de fábricas de jeans que dominaram o interior do estado.

SERVIÇO:

Exposição Ver_me

Quando: Até 17 de outubro

Onde: No Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda

Via Diário de Pernambuco

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