
O dono de uma clínica de tratamento de pessoas viciadas em drogas e álcool e um funcionário foram presos pela Polícia Civil, em Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco. Segundo a corporação, eles são suspeitos de estupro de uma garota de 15 anos, maus-tratos, exercício irregular da medicina, além de estelionato e associação criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 21 anos de prisão.
Ainda de acordo com a polícia, um terceiro investigado, que trabalhava como gerente da clínica, também é alvo de mandado de prisão e está foragido. Segundo a corporação, o estabelecimento funcionava de forma irregular.
As prisões ocorreram na quinta-feira (25), em cumprimento a mandados de prisão expedidos pela Justiça. No mesmo dia, a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão nas casas dos investigados e no imóvel onde funcionou o escritório da clínica irregular.
De acordo com a delegada titular da 8ª Delegacia de Atendimento à mulher, Maria de Lourdes Ferreira de Andrade, as investigações começaram em maio, a partir da denúncia da mãe da adolescente que foi estuprada.
"Recebemos a denúncia no dia 6 de maio, quando a mãe da vítima nos procurou, dizendo que internou na clínica a filha de 15 anos, que tem problemas mentais. A jovem foi levada para tratamento, porque é usuária de drogas. Ela chegou lá em março. No dia 29 de abril, a adolescente disse para a mãe que estava mantendo relações sexuais com o empregado da clínica", afirmou a policial.
As investigações revelaram que a adolescente estava tendo relações sexuais com o funcionário. De acordo com Maria de Lourdes Ferreira de Andrade, o homem começou como um fiscal de limpeza na clínica, mas depois passou a atuar como um conselheiro de alguns pacientes.
Nessa função, segundo a delegada, ele conheceu e se aproximou da vítima. A policial informou também que o homem confessou o estupro de vulnerável. O crime se caracteriza pelo fato de a garota ser menor de idade e de ter problemas mentais e ser usuária de drogas.
As investigações também apontaram, conforme informações da Polícia Civil, outros crimes. Um deles é o de exercício ilegal da medicina.
"Descobrimos que esta clínica funcionava de forma clandestina, que não havia profissionais da saúde habilitados para assistir os internos. [A clínica]não apresentou, até agora, nenhum documento nem nenhum profissional da saúde capacitado para atender esses pacientes", disse a delegada.
A investigação ouviu internos da clínica, que relataram outros problemas, como maus-tratos, especialmente contra idosos.
"Os internos que foram ouvidos informaram que não recebiam nenhum atendimento qualificado. Além de estarem ocorrendo, no interior dessas clínica, maus-tratos. Havia idosos que não tinham tratamento humanizado, alguns dormiam até no chão, não tinha nem camas para dormir, além de haver superlotação", declarou Maria de Lourdes.
Ainda de acordo com a delegada titular da 8ª Delegacia de Atendimento à Mulher, a clínica investigada já teve problemas em outras cidades.
"Recebemos a informação de que essa clínica começou a funcionar, em 2017, em Goiana. Depois, foi para Itamaracá, no Grande Recife, passou a funcionar lá. Houve uma ação do Ministério Público e da Polícia Militar. Passou para Pitimbu (Paraíba). Nesse local, houve denúncia de abuso sexual. A polícia da Paraíba instaurou inquérito para apurar isso. Foi quando eles voltaram para Goiana", disse.
Via G1 Pernambuco