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PGR diz ao STF que apoia prorrogar inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na PF

PGR diz ao STF que apoia prorrogar inquérito que apura se Bolsonaro tentou interferir na PF

Redação
Por: Redação
03/06/2020 às 11h09 Atualizada em 03/06/2020 às 14h09

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou nesta terça-feira (2) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável ao pedido da Polícia Federal para prorrogar o inquérito que apura suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF.

A delegada que conduz as investigações, Christiane Correa Machado, pediu ao STF 30 dias adicionais para concluir a apuração. O relator do caso no Supremo, Celso de Mello, pediu a manifestação da PGR e deve decidir, agora, se prorroga ou não o inquérito.

A investigação foi autorizada pelo STF em 27 de abril, três dias após o então ministro da Justiça, Sergio Moro, ter anunciado a demissão do cargo. Na ocasião, Moro disse que Bolsonaro interferiu na PF ao demitir o então diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo. Bolsonaro nega a acusação.

Entre outras diligências pendentes, a delegada Christiane Machado argumenta que "mostra-se necessária a realização" do depoimento de Bolsonaro. No parecer desta terça, Augusto Aras não comenta esse ponto.

No parecer, o procurador-geral da República, Augusto Aras, não trata diretamente do depoimento de Bolsonaro, mas concorda com as diligências já determinadas pela PF.

Inquérito

O primeiro a ser ouvido no inquérito foi o próprio Moro, no dia 2 de maio. No depoimento, o ex-ministro citou como prova da interferência do presidente a reunião ministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto. O conteúdo da reunião se tornou público no último dia 22 de maio.

A pedido da Procuradoria-Geral da República também foram ouvidos três ministros, uma deputada e policiais federais.

Vídeo

No vídeo da reunião, divulgado por decisão do ministro Celso de Mello, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que tentou "trocar gente da segurança" no Rio de Janeiro.

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira".

Segundo Moro, Bolsonaro se referia à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. O presidente, por sua vez, disse que se referia à segurança pessoal dele, cuja responsabilidade é do Gabinete de Segurança Institucional.

Como mostrou o Jornal Nacional, contudo, em vez de demitir o segurança no Rio, Bolsonaro o promoveu.

Via G1 Política

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