Publicidade

MPF imputa indícios de participação ativa de Witzel no comando das contratações de empresas investigadas

MPF imputa indícios de participação ativa de Witzel no comando das contratações de empresas investigadas

Redação
Por: Redação
27/05/2020 às 09h32 Atualizada em 27/05/2020 às 12h32
MPF imputa indícios de participação ativa de Witzel no comando das contratações de empresas investigadas
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) aponta, na apuração da Operação Placebo, que há indícios de participação ativa do governador Wilson Witzel tanto quanto ao conhecimento e quanto ao comando das contratações realizadas com as empresas investigadas por desvios na área da Saúde. Para o MPF, isso aconteceu mesmo sem o governador ter diretamente assinado os documentos. 

O governador Wilson Witzel e a primeira-dama Helena Witzel serão ouvidos pela Polícia Federal no âmbito da operação deflagrada nesta terça-feira. Na decisão em que determinou a ação, o ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirma que a PF de "proceder a oitiva imediatada dos investigados" e cita ambos, além de outras cinco pessoas.

A Procuradoria-Geral da República afirma que prova recebida da Procuradoria da República do Rio de Janeiro aponta "indicativo de possível ajuste ilícito" entre Mário Peixoto, preso há duas semanas, e o governador. Peixoto é apontado como sócio oculto do Instituto Unir Saúde, responsável pela administração de Unidades de Pronto Atendimento (UPA). A organização social tinha sido proibida em outubro do ano passado de fazer contratos com o poder público por constatação de irregularidades na prestação de serviços, mas um ato de Witzel em março revogou essa proibição. O advogado Alexandre Lopes, que defende Mário Peixoto negou relações ilícitas entre o empresário e o governador. Ele afirmou, por nota, que “não existe relação ilícita entre Mario Peixoto e o Governador Wilson Witzel. Qualquer acusação neste sentido é absolutamente descabida e irreal".

Para os investigadores, ao usar o fundamento de "conveniência e oportunidade" para revogar a proibição, a decisão do governador demonstra "forte possibilidade de existência de ajustes para o desvio de dinheiro público".

A PGR relatou ainda que prova recebida da Justiça Federal do Rio mostra a existência de um contrato de uma empresa da primeira-dama, Helena Witzel, com uma das empresas investigadas, tendo inclusive havido transferência bancária entre elas.

O Ministério Público listou ainda interceptações telefônicas que apontam alterações contratuais nas empresas que teriam como intuito ocultar a movimentação dos recursos públicos recebidos. Cita que há "prova robusta" de fraudes nos processos que levaram à contratação do Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (Iabas) para gerir os hospitais de campanha "tudo com a anuência e comando da cúpula do Executivo". Para o MP, Witzel "mantinha o comando das ações".

Em sua decisão, Benedito Gonçalves afirma que as provas nos autos lhe deram "convicção quanto a indícios veementes de autoria e materialidade", para justificar a concessão das buscas.

"A prova compartilhada originária do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e da Procuradoria da República naquela unidade da Federação, bem como a constante no caderno investigatório, trazem elementos de convicção, que em juízo de cognição limitada e superficial, típico das cautelares, propiciam convicção quanto a indícios veementes de autoria e materialidade que permitem o deferimento da medida vindicada", escreveu o ministro.

A Polícia Federal apreendeu no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador do Rio, telefones e celulares de Wilson Witzel.

Os mandados tiveram por base duas investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Ambas relacionam o nome de Witzel com empresários e gestores envolvidos com desvios nos recursos destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus no estado. Um dos indícios foi obtido por promotores estaduais após ouvir durante seis horas, na semana retrasada, o ex-subsecretário estadual de Saúde Gabriell Neves, que encontra-se preso no Presídio José Frederico Marques, em Benfica.

Via O Globo

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários