Publicidade

Nove anos após leilão, torres eólicas estão abandonadas na Bahia

Nove anos após leilão, torres eólicas estão abandonadas na Bahia

Redação
Por: Redação
01/11/2019 às 11h56 Atualizada em 01/11/2019 às 14h56
Nove anos após leilão, torres eólicas estão abandonadas na Bahia
Foto: Raul Spinassé/Folhapress

Fincadas na zona rural de Casa Nova, no norte da Bahia, 30 torres eólicas geram uma falsa impressão aos incautos que por ali passam. As torres estão de pé e as pás giram com a força dos ventos, mas não geram um mero kilowatt de energia elétrica. Concebido para ser o primeiro parque eólico da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) no País, o parque Casa Nova I segue sem ter sido concluído nove anos depois do leilão no qual a estatal arrematou o lote.

O local é um cenário de terra arrasada, com turbinas eólicas abandonadas em meio a um terreno rodeado apenas por uma cerca de arame. Ao todo, R$ 400 milhões já foram investidos no complexo. Com ares de monumento à ineficiência, o imbróglio dá combustível à ala do governo do presidente Jair Bolsonaro ligada ao ministro da Economia Paulo Guedes, que defende a privatização da Eletrobras e de suas subsidiárias – entre elas, a Chesf.

A estatal, responsável pela construção e gestão das principais usinas hidrelétricas do Nordeste – como as de Paulo Afonso, Sobradinho e Xingó, no Rio São Francisco -, decidiu investir no segmento de energia eólica no final da década passada, ainda durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ideia inicial era erguer três parques eólicos com capacidade instalada de 180, 28 e 26 megawatts cada. O maior deles seria o parque Casa Nova I, cuja autorização para construção foi concedida em 2010, com meta para ser concluído em 2013.

O andamento da obra, contudo, foi prejudicado pela crise da Impsa, empresa argentina contratada pela Chesf para fornecimento e montagem dos aerogeradores, que entrou em recuperação judicial em 2011. Das 120 torres previstas para o parque, só 30 foram montadas.

A Chesf dispensou os funcionários que trabalhavam na construção do parque e paralisou as obras. Desde então, o canteiro de obras tem sido alvo de furtos, e equipamentos foram danificados pela falta de manutenção.

Também previstos para o complexo, os parques Casa Nova II e Casa Nova III já foram inaugurados em março de 2018 e operam normalmente, com um potencial para fornecer energia para 57 mil residências.

Resposta

Em nota, a Chesf afirmou que, desde a paralisação em 2014, buscou alternativas de soluções técnicas e jurídicas para resolver o imbróglio. A empresa disse que a conclusão será feita de forma gradativa e decidiu fazer uma subdivisão em sete parques eólicos, ao invés dos três originalmente previstos. Em diferentes estágios de instalação, eles têm em média 30% de execução física.

De acordo com a estatal, componentes e materiais para os parques já foram fabricados, inspecionados e estão em trânsito para o Brasil. Os trabalhos em campo devem começar até o final do ano, com previsão de conclusão em outubro de 2020. Sobre os furtos de equipamentos na região, a Chesf informou que registrou ocorrência.

Via Folha S. Paulo

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários