Segundo o texto publicado pelo TRE de Minas, esse vídeo mencionado por Flavio Bolsonaro é falso. "Os vídeos não mostram o teclado da urna, onde uma pessoa digita o restante do voto. Não existe a possibilidade de a urna autocompletar o voto do eleitor, e isso pode ser comprovado pela auditoria de votação paralela, nos mesmos vídeos abaixo."
O TRE também publicou no YouTube uma explicação dada por um técnico de edição de vídeos, afirmando que o vídeo compartilhado nas redes sociais é forjado – há dois cliques antes de aparecer a imagem do candidato petista. Segundo sua análise, há dois barulhos de clique no teclado – ou seja, não teria havido apenas clique no "1" – indicando que o segundo número foi digitado por outra pessoa. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, determinou que o Ministério Público e a Polícia Federal apurassem o caso. "Ministério Público Federal e Policia Federal já estão acionados. Não sabemos sequer se essa urna existe, se a imagem corresponde à realidade", disse Weber. Outro filho de Bolsonaro, o candidato a deputado federal por São Paulo Eduardo Bolsonaro (PSL) pediu fotos e filmagens de urnas que estariam com problemas. "Prezados, em caso de problemas com as urnas, filmem, de preferência gravem lives e falem o Estado, zona e seção onde está ocorrendo o problema". No entanto, fotografar ou filmar a urna eletrônica é crime, por violar o sigilo do voto, segundo o Código Eleitoral. A lei estabelece que é proibido "portar aparelho de telefonia celular, máquinas fotográficas e filmadoras, dentro da cabina de votação". Além disso, a pena para quem viola ou tenta violar o sigilo do voto é de até dois anos de prisão.

A norma visa impedir a coação de eleitores – para que não sejam obrigados a fotografar seu voto e provar que votaram em determinado candidato. Sobre a possibilidade de Flavio Bolsonaro ter divulgado notícia falsa, o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Medeiros, disse que isso poderá ser apurado após a eleição pelo Ministério Público. Após a resposta do TSE, Bolsonaro retirou o vídeo do ar e disse que "mesmo que a explicação sobre a veracidade do vídeo não tenha sido clara", seu objetivo era "alertar ao TSE".

'Não chega a um pingo de água no oceano'
Em entrevista no início da noite, a procuradora-geral da República Raquel Dodge afirmou que o Ministério Público "não hesitará" em agir para coibir divulgação de vídeos com conteúdo falso. "É claro que todos temos liberdade de expressão, mas temos que contribuir para a disseminação de informações verdadeiras, e não informações que coíbam, dissimulem ou alterem a compreensão e o desejo de voto de cada eleitor." Já a ministra Rosa Weber afirmou que o TSE está tentando "compreender a lidar com fake news (notícias falsas)". "O que o TSE está fazendo? O TSE não está fazendo nada? Não, ele está fazendo. Primeiro, ele está entendendo o fenômeno, porque o fenômeno não é de fácil compreensão, não é de fácil prevenção, e não é problema brasileiro. Mas o TSE está atento." O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, afirmou que o número de problemas com as urnas eletrônicas em todo o país "é insignificante, não chega a ser um pingo de água no oceano". O TSE substituiu 1.695 urnas eletrônicas em todo o país, o equivalente a 0,33% do total.
Via BBC Brasil