Economia

Suspensão das feiras do polo de confecções no Agreste impacta toda cadeia produtiva

O setor têxtil e confeccionista gera cerca de 51,3 mil empregos no Agreste de Pernambuco

As tradicionais feiras realizadas na principais cidades do polo de confecções do Agreste de Pernambuco estão suspensas por tempo indeterminado. A decisão é válida para a Feira da Sulanca de Caruaru, o Moda Center Santa Cruz, o Calçadão Miguel Arraes e a Feira do Jeans de Toritama.

A medida anunciada ontem está de acordo com as orientações de decreto do Governo de Pernambuco para o enfrentamento ao coronavírus no Estado. A paralisação, no entanto, preocupa quem depende do setor, já que não se sabe por quanto tempo a medida será necessária.

Os empresários do setor alertam que a paralisação dos negócios feitos na feira tem um efeito cascata em toda cadeia. Fábricas deixam de produzir, atacadistas param de vender e até os trabalhadores informais ficam sem ter onde trabalhar.

O vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru (Acic), Pedro Miranda, reconhece que suspensão das feiras trará um impacto financeiro muito forte para o Agreste do Estado. Ele conta que os empresários até tentaram evitar a medida, mas após orientações de autoridades sanitárias a necessidade de evitar as aglomerações foi compreendida.

No entanto, Pedro Miranda ressalta sua preocupação com a manutenção dos empregos e dos micro e pequenos negócios da região. “Para os pequenos empreendedores o fluxo de caixa é semanal e depende da feira. Se não tem feira, não tem dinheiro para sua subsistência”, pontua. Ele ainda completa: “As grandes empresas têm procurado a Acic para saber como proceder com os empregados que não vão trabalhar porque não têm para quem produzir. O ciclo está quebrado e a cadeia toda fica prejudicada”, lamenta Pedro Miranda.

De acordo com dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, o setor têxtil e confeccionista gera cerca de 51,3 mil empregos. Ao todo, são fabricadas 43 mil toneladas de têxteis por ano, ou 225 milhões de peças de confecções. O valor da produção anual gira em torno de R$ 5,6 milhões. Outro dado preocupante é que 98% das empresas no polo de confecções do Estado são de micro ou pequeno porte.

A suspensão das feiras acontece às vésperas da alta temporada para o setor. Entre os meses de maio/junho e novembro/dezembro, o movimento chega a ser 60% maior do que nos outros meses quando, por semana, cerca de 150 mil pessoas circulam nas três principais feiras da região.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe, Bruno Bezerra, a medida de suspender as feiras foi uma decisão que visa o bem público, mas deve repercutir para além das divisas pernambucanas. “Somente no Moda Center é escoada a produção de mais de 54 municípios, inclusive de outros Estados do Nordeste. Não fosse uma crise como essa, ninguém em boa consciência cancelaria as feiras”, defende Bezerra.

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Imagem aérea do Moda Center Santa Cruz, em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco – DIVULGAÇÃO

Por causa de tamanho prejuízo, os empresários do setor esperam a publicação do decreto do Governo Estadual para solicitar um encontro e debater flexibilização de medidas fiscais, como a prorrogação do pagamento de tributos.

Antes da suspensão das feiras do polo de confecções em Pernambuco, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) realizou uma pesquisa com 110 empresas da sua base do setor têxtil e de confecção, nos dias 16 e 17 de março. O estudo mostrou que 51% dos pesquisados ainda não sentiram impacto direto em seu processo produtivo em relação ao novo coronavírus. Apesar disso, dentro deste percentual, 91% dos entrevistados têm expectativa de que haverá algum efeito nos próximos meses.

Entre os 49% que já sentem a influência do vírus em sua produção, 63% já tiveram seus pedidos cancelados ou adiados, e 56% contaram com alteração nos custos dos insumos. Ainda no contexto do combate ao coronavírus, A maior parte das empresas (93%) já têm tomado medidas de prevenção, como: adoção de home office por parte da equipe, distribuição de álcool em gel, luvas e máscaras, horário flexível, informativos, cancelamento de viagens ao exterior, entre outras.

Via JC Online

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