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Procurador assassinado por denunciar corrupção em Floresta é homenageado
Ele foi assassinado três meses após oferecer denúncia sobre esquema de corrupção, em 1982.
07/07/2026 14h32
Por: Redação Fonte: G1

O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva entrou para o Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. Ele foi assassinado em 1982, em Olinda, por ter denunciado o "Escândalo da Mandioca" — grande esquema de desvio de recursos que deveriam ser destinados a agricultores em Floresta, no Sertão de Pernambuco. O esquema aconteceu entre 1979 e 1981 na agência do Banco do Brasil da "Terra dos Tamarindos".

A Lei 15.446/2026, que oficializa o reconhecimento, foi sancionada pelo presidente em exercício Geraldo Alckmin (PSB), e foi originada de um projeto de lei da senadora por Pernambuco Teresa Leitão (PT).

O projeto foi apresentado em março de 2024. Em maio de 2025, o texto foi aprovado pela Câmara Municipal. A sanção ocorreu na terça-feira (30), no Palácio do Planalto. Estiveram presentes, além de Geraldo Alckmin e Teresa Leitão, membros da Associação Nacional dos Procuradores da República e uma das filhas de Pedro Jorge, Roberta Viegas.

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Conforme as investigações, criminosos desviavam de recursos do Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) por meio de empréstimos agrícolas utilizando documentos falsos e propriedades fictícias para o plantio de mandioca.

Depois de conseguir a verba, eles simulavam "quebras de safra" por seca ou pragas para obter as indenizações do seguro agrícola. O prejuízo aos cofres públicos, em valores atualizados, pode ter chegado ao equivalente a R$ 20 milhões.

Pedro Jorge, mesmo recebendo ameaças de morte, decidiu denunciar o caso à Justiça, e conseguiu tornar rés 19 pessoas, incluindo um deputado estadual, militares, servidores e os empresários que se passavam por trabalhadores rurais para receber empréstimos.

A Justiça aceitou a denúncia e, três meses depois, Pedro Jorge foi assassinado com três tiros enquanto saía de uma padaria em Olinda, no dia 3 de março de 1982.

O mandante do assassinato, o ex-major da Polícia Militar José Ferreira dos Anjos, chegou a ficar foragido por 12 anos antes de ser recapturado nos anos 1990. Ele foi condenado a 32 anos e seis meses de reclusão por homicídio e falsidade ideológica.

Permaneceu preso por 10 anos e sete meses, mas foi solto em 2003, após ser beneficiado por um indulto concedido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O ex-PM morreu em novembro de 2018.

Via G1