Denúncia é investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Por causa das acusações, padre foi suspenso pela Diocese de Pesqueira.
O motorista Jailson Leonardo da Silva, acusado pela personal stylist Sílvia Tavares de estuprá-la a mando do padre Airton Freire, se pronunciou, pela primeira vez, sobre o caso nesta quinta (1º). Em comunicado enviado ao g1, a defesa do suspeito negou que ele tenha praticado "qualquer crime" contra ela e lamentou "ter tido o nome envolvido em denúncias fantasiosas".
Por causa das acusações, o padre, de 66 anos, foi suspenso pela Diocese de Pesqueira, no Agreste. O caso está sendo investigado em segredo de Justiça pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Segundo a delegada Morgana Alves, 22 pessoas prestaram depoimentos no inquérito até agora.
No texto, a defesa de Jailson disse confiar que "as investigações realizadas pela Polícia Civil restabelecerão a verdade dos fatos".
"Jailson atua há 1 ano e quatro meses na Fundação Terra, nunca se envolveu com práticas delituosas e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", afirma a nota da defesa do motorista.
A delegada Morgana Alves, da Polícia Civil de Pernambuco, chefe da Diretoria Integrada Especializada, afirmou que as investigações sobre a denúncia de estupro contra o padre Airton Freire e o motorista Jailson Leonardo da Silva estão "maduras e robustas".
Ela disse, ainda, que 22 pessoas prestaram depoimentos sobre o caso, que, segundo Sílvia Tavares de Souza, aconteceu numa propriedade da Fundação Terra, organização não-governamental criada pelo religioso.
Criador da Fundação Terra, Padre Airton Freire de Lima disse, em comunicado publicado pela ONG aos fiéis, que se sentiu "injustiçado" pela acusação de estupro e que "jamais cometeu" os "atos ilícitos" pelos quais foi denunciado.
O comunicado do religioso foi publicado nas redes sociais, dirigido aos membros da Fundação Terra, ONG criada pelo padre Airton há 37 anos, em Arcoverde, no Sertão.
No texto, a fundação afirma que as denúncias foram movidas "por interesses que ainda não estão claros" e diz que as obras sociais da ONG serão mantidas.
O crime de estupro, de acordo com a mulher, foi praticado a mando do padre, pelo motorista Jailson Leonardo da Silva, de 46 anos. Sílvia afirmou que o padre teria se masturbado vendo a cena. O caso aconteceu durante um retiro espiritual, no dia 18 de agosto de 2022.
Ainda segundo Sílvia Tavares, a relação que tinha com o padre Airton era de muita proximidade. Ela disse que chamava ele de "padinho" e que ele a chamava de "minha princesa". A devoção era tanta que a mulher tatuou na pele o símbolo da Fundação Terra e a frase "Padre Airton: creio em Deus pai".
Sílvia Tavares disse que frequentava retiros espirituais organizados pelo padre desde 2019, na Fazenda Malhada, em Arcoverde, no Sertão do estado, e que participou de, pelo menos, 25 desses eventos religiosos. Os dois teriam se conhecido quando ela buscou a ajuda dele para tratar uma depressão.
Ela contou que, durante um desses retiros, foi chamada pelo padre para ir a uma pequena casa isolada, à qual a mulher se refere como “casinha”, onde ficavam os aposentos do padre.
Cronologia do crime, segundo Sílvia Tavares:
Via g1 Pernambuco.