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Caso da mãe acusada de matar dois filhos: imagens de câmeras de segurança podem revelar detalhes
Caso da mãe acusada de matar dois filhos: imagens de câmeras de segurança podem revelar detalhes
17/01/2022 10h08 Atualizada há 4 anos
Por: Redação
Foto: Reprodução

Imagens de duas câmeras podem ajudar a trazer mais detalhes sobre o assassinato de duas crianças, no último dia 10, na casa do bairro Freixal, no município de Guapimirim, na Baixada Fluminense. As vítimas, Arthur Moisés e Bruno Leonardo Ferreira da Silva, de 3 e 6 anos, respectivamente, eram filhos da dona de casa Stephani Ferreira Peixoto, de 35, acusada de assassiná-los a facadas.

As câmeras estão localizadas no quintal da casa e outra num poste em frente ao local do crime. A informação foi prestada aos investigadores da 67ª DP (Guapimirim) pelo pai dos meninos, o pedreiro Carlos Leonardo da Silva, de 38 anos, em seu depoimento.

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Carlos afirmou que Stephani, com quem viveu uma união estável de 15 anos, não fazia tratamento psiquiátrico, nem tomava remédios controlados. Em suas declarações à polícia, o pedreiro contou que ela demonstrava “agressividade no temperamento” quando discutia com ele, mas que era uma “boa mãe, pois fazia o dever dela normal de mãe”. A acusada foi presa em flagrante e confessou para agentes das polícias Civil e Militar, que estiveram na cena do crime, que havia cometido o crime.

Ao chegar na casa, onde o duplo assassinato ocorreu, numa segunda-feira, às 13h50, o cabo da Polícia Militar Luiz França contou que Stephani, aos gritos, dizia: “Matei os meus filhos, deixa eu morrer”. O inspetor da Polícia Civil Danilo Barboza, acionado por uma vizinha que foi à delegacia, a cerca de dois quilômetros do local da tragédia, chegou praticamente junto com a PM à cena do crime. Barboza relatou que a acusada, “por diversas vezes”, implorou: “Não chame o socorro, me deixa morrer”.

Stephani estava sentada no chão da sala, ao lado do sofá, com profundos cortes nos pulsos. Havia sangue espalhado pelas paredes e pelo chão do cômodo. Num quarto ao lado, deitados de barriga para cima, estavam Arthur Moisés e Bruno Leonardo.

A polícia acionou a equipe médica do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu), que estabilizou Stephani e constatou as mortes das crianças. A acusada foi levada para o Hospital de Guapimirim e transferida, no dia seguinte, para a Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Complexo de Gericinó, em Bangu. Atualmente, Stephani se encontra no Hospital Psiquiátrico Roberto Medeiros, que também faz parte do sistema penitenciário, no mesmo bairro.

Em depoimento, o cabo França relatou que sentiu um forte cheiro de gás na casa. Ao chegarem à cozinha, ele e Barboza perceberam que todas as bocas do fogão estavam abertas, inclusive a do forno. França desligou tudo e colocou o botijão do lado de fora, por medo que explodisse. O casal ainda tem um terceiro filho de 15 anos, que não se encontrava em casa quando a polícia chegou.

O pai dos meninos contou à polícia que, no último dia 7, o casal e os três filhos estavam em casa, quando Stephani disse que iria ao mercado de carro. Carlos relatou que se propôs a levá-la e, assim, dariam um passeio com os garotos, mas que ela não aceitou. Uma das crianças, Bruno Leonardo, estava completando seis anos na data. Ela teria saído a pé, mas retornou três minutos depois. Segundo o pedreiro, ela retornou e o agrediu, de “forma gratuita”, com socos, tapas e pontapés. Para se defender, de acordo com suas declarações na delegacia, a segurou para afastá-la. Disse ainda que ela pegou uma faca, para tentar atingi-lo, assim como ao filho mais velho. O adolescente teria retirado a faca das mãos da mãe, conforme o relato de Carlos.

O pedreiro declarou que chamou a Polícia Militar, porém desistiu de registrar o ocorrido. Então, nesse dia, uma sexta-feira, Carlos decidiu deixar Stephani com os filhos. Já era a terceira vez que ele se separava da companheira, mas o casal sempre se reconciliava depois.

No fim de semana anterior à tragédia, Carlos disse por mensagem de texto no WhatsApp que queria ver os filhos. De acordo com seu relato na delegacia, a mulher disse que as visitas teriam que ser resolvidas pela Justiça. Na segunda, dia 10, ele ficou de ver o advogado, foi quando recebeu uma ligação de Stephani dizendo ter matado as crianças e que estava tentando se matar, “mas não conseguia morrer”. Ele contou que, desesperado, pegou o carro e foi até a casa onde moravam. Chamou uma vizinha para acompanhá-lo, arrombou o portão, que estava trancado por um cadeado voltado para dentro, mas não teve coragem de entrar na casa. Daí, segundo ele, ficou sentado na calçada esperando a vizinha chamar a polícia.

No depoimento, ele disse que não imaginava que Stephani fosse ter coragem de fazer algo com os filhos. Segundo Carlos, ela já teria feito ameaças como “cortá-lo de cima até embaixo enquanto estivesse dormindo, mas não em desfavor dos filhos”.

Embora Carlos afirme que Stephani tem um temperamento agressivo, o exame de corpo de delito revelou algumas marcas pelo corpo. O laudo da perícia informa que ela tinha edema no nariz e múltiplas equimoses na mama direita.

A acusada contou aos peritos que foi agredida a soco e cadeiradas pelo marido, no último dia 7, quando brigaram. A mesma vizinha que acionou a polícia no dia da tragédia, contou em depoimento, que o marido dela, na noite do desentendimento entre Carlos e Stephani, disse ter ouvido gritos de socorro vindos da casa e que a voz era feminina.

A Justiça decretou a prisão preventiva de Stephani, que se reservou ao direito de permanecer calada.

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Via Folha de Pernambuco