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Motoristas, cobradores de ônibus e fiscais são demitidos em massa na Região Metropolitana do Recife

Motoristas e cobradores de ônibus da empresa Transcol foram surpreendidos nesta terça-feira (31) com uma demissão coletiva quando chegavam para trabalhar. Segundo eles, o motivo informado para justificar o dispense em massa foi a suposta diminuição da arrecadação das empresas, provocada pela redução na circulação dos ônibus na Região Metropolitana do Recife, desde que casos da Covid-19 começaram a ser confirmados em Pernambuco. Ao todo, cerca de 200 profissionais teriam sido demitidos. Ainda nesta terça-feira (31), os funcionários realizaram um protesto em frente à garagem da Transcol, localizada na BR-101, no bairro da Guabiraba, Zona Norte do Recife. 

Além de motoristas e cobradores de ônibus, estavam incluídos na lista de demissão fiscais e trabalhadores da manutenção dos veículos. Segundo o Sindicato dos Rodoviários em Pernambuco, além da Transcol, outras empresas teriam anunciado cortes no quadro de funcionários ou suspensão de salários, como a Globo, a Caxangá, a Itamaracá, a Vera Cruz e a Pedrosa. Cerca de 60% dos profissionais do transporte público devem ser desligados neste mês de abril. 

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) confirmou as demissões e justificou que o Sistema de Transporte Público de Passageiros da Região Metropolitana do Recife (STPP/RMR) enfrenta um quadro de dificuldades sem precedentes em sua história. “A redução da demanda de transporte por ônibus já passa de 75% face às medidas impostas de isolamento social para conter a disseminação da Covid-19. Esse cenário de crise repercute diretamente na operação do serviço, uma vez que o modelo de custeio atualmente adotado depende, quase que exclusivamente, da quantidade de passageiros transportados e da arrecadação tarifária”, defendeu a Urbana-PE. 

O sindicato das empresas afirmou ainda que tentou buscou soluções junto ao Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco durante quatro encontros realizados nos últimos dias, “com a finalidade de celebrar ajustes temporários e emergenciais para evitar a redução do seu quadro de pessoal, não se tendo, entretanto, chegado a nenhum acordo”. A Urbana afirmou também que solicitou o apoio do governo federal apresentando propostas para medidas temporárias e emergenciais, como subvenção e apoio financeiro complementar à arrecadação, fornecimento de óleo diesel direto pelas distribuidoras a preço de custo, auxílio para pagamento de parte dos salários dos funcionários fora dos planos de operação com vistas à manutenção dos postos de trabalho.

“Infelizmente, diante da falta de resposta das entidades competentes, impôs-se a real incapacidade de as empresas honrarem com seus compromissos. Diante deste cenário, o setor foi obrigado a tomar decisões difíceis e adotar medidas temporárias de ajuste, tanto no seu quadro de pessoal, como no cronograma de pagamento a fornecedores, visando evitar o iminente colapso do STPP/RMR”, disse a nota. 

Para tentar chegar a um acordo, o Governo de Pernambuco realizou uma reunião, na tarde desta terça-feira (31), com representantes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), do Grande Recife Consórcio de Transportes, da Procuradoria Geral do Estado e da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude e do Sindicato dos Rodoviários para discutir as demissões dos profissionais do transporte público devido à crise causada pelo novo coronavírus. A discussão continua nesta quarta-feira (1º), desta vez com representantes da Urbana-PE. 
“O objetivo desses encontros é construir alternativas para o setor, preservando ao máximo os empregos desses profissionais. Vale ressaltar que é uma crise sem precedentes, enfrentada por todos os estados brasileiros. As discussões vêm ocorrendo em âmbito nacional e estão sendo analisadas pelo governo federal”, informou, em nota, o Grande Recife Consórcio.

Via Diario de Pernambuco

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