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Homem é preso por homicídio qualificado após contaminar jovem com o vírus HIV em Pernambuco

Paulo César, 33 anos, ainda proibiu a namorada de procurar tratamento

Um homem com 33 anos foi preso pela Polícia Civil após contaminar intencionalmente a namorada com o vírus HIV. A jovem morreu e a Justiça entendeu que Paulo César da Silva praticou homicídio qualificado. Além de ser acusado de não informar à namorada da sua condição de saúde, ele também teria impedido a vítima de procurar tratamento e de contar à família  dela sobre o caso. O homem foi preso, na manhã de ontem, por uma equipe da Delegacia de São Lourenço da Mata. A polícia divulgou o retrato do acusado para alertar outras mulheres.

Apesar de não permitir o tratamento da namorada, Paulo cuidava de seu estado de saúde, segundo a polícia. O delegado Diogo Santiago disse que ele era casado quando se envolveu com Karine Lima da Silva, 23, que tinha 14 anos, na época. “A ex-mulher dele, inclusive, também morreu em virtude da Aids. Antes disso, ela contou à família da nova namorada de Paulo da situação dele, mas o acusado negou e ainda forjou exames de sangue.” Karine morava em São Lourenço da Mata e morreu em junho de 2016.

A polícia acredita que Paulo fez outras vítimas, pois costumava negar ser soropositivo. “Também soubemos que ele é um homem mulherengo, que costumava ir para muitas festas e shows. Inclusive ele já estaria com outra jovem enquanto a namorada estava adoentada”, disse o delegado. Na prisão, Paulo mostrou-se surpreso à polícia. “Ele não acreditava que seria preso por isso.” A prisão aconteceu no Terminal Integrado de Passageiros, no Curado.

A delegada Euricélia Nogueira alertou para os comportamentos de risco durante o carnaval. “Temos conversado com pessoas nos postos de saúde e a informação é de que as pessoas pararam de se cuidar. Ninguém tem faixa na testa dizendo: sou soropositivo. Portanto, peçam camisinhas nos postos.” A polícia orientou as mulheres que se relacionaram com Paulo a procurarem atendimento médico e, em seguida, prestarem queixa na delegacia.

O coordenador do Grupo de Trabalhos em Prevenção Posithivo (GTP+), Wladimir Reis, destacou que é crime previsto em lei transmitir qualquer doença infecto-contagiosa para outra pessoa quando se sabe que tem a doença. “Isso vale para qualquer doença, não apenas para quem tem o HIV. O que me preocupa é criminalizar ele pela sorologia positiva ao HIV”, alertou. Da mesma forma, também é crime discriminar pessoas com HIV, como negar emprego ou atendimento à saúde.

O Boletim Epidemiológico HIV Aids 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostra que entre 2007 e 2017, a notificação de casos de HIV de pessoas com 15 a 24 anos aumentou aproximadamente 700%. Para Reis, faltam recursos para a prevenção. “Cadê os recursos da prevenção que desde 2010 não são disponibilizados? A gente está falando de jovens. Quando a pessoa sai da adolescência e desperta para a sexualidade, quer conhecer. Vai na família e não tem resposta. Então, vai nos amigos. Sem recursos de prevenção, como conversar com a população, com os jovens de escola pública, profissionais do sexo? Por isso que países ricos têm epidemia decrescente. Porque levaram a discussão para a família e para a sala de aula. Não é possível apenas lançar um edital de R$ 50 mil e querer que as organizações façam prevenção sozinhas. É preciso compromisso das três esferas de governo. Ação de prevenção não é jogar camisinha de carro alegórico.É uma possibilidade de discutir dúvidas e esclarecer questões.”

Via Diário de Pernambuco

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