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‘Ele disse que jamais iria tocar em um fio de cabelo dela’, conta tia de pernambucana morta a facadas pelo marido em Belém, PA

Jéssica Mesquita e a amiga Tamires Abdon foram assassinadas por Joelson Alves, militar da reserva da Aeronáutica. Ele foi preso em flagrante e está sob custódia em hospital no Pará.

A família da pernambucana Jéssica Mesquita, de 27 anos, contou que não imaginava que Joelson Alves de Souza, marido dela e militar da reserva da Aeronáutica, de 54 anos, pudesse agredir fisicamente a esposa. Ela e a amiga, Tamires Abdon, foram assassinadas a facadas por ele no sábado (30), em Belém.

De acordo com parentes de Jéssica, ela iria sair de casa, com a ajuda de Tamires, após diversas tentativas de se separar do militar. “Ele se aproveitou da bondade da família e da ingenuidade dela. Ele fez tudo de forma muito calculista”, afirmou Juliana Bezerra, tia da vítima.

A tia de Jéssica contou que, poucas horas antes do crime, Joelson havia conversado com ela por telefone. “Ele arquitetou muito bem. Ele mentiu muito para a família. Ele foi muito dissimulado e muito cruel. Ele disse a mim que não me preocupasse porque ele jamais iria tocar em um fio de cabelo dela”, declarou.

O duplo feminicídio aconteceu no bairro do Guamá, em Belém. Jéssica estava tentando sair do apartamento em que o casal morava, com ajuda de Tamires, quando o marido esfaqueou as duas.

Segundo a Polícia Civil do Pará, que instaurou inquérito para investigar o caso, uma das mulheres, na tentativa de se defender, feriu o militar, que foi autuado em flagrante por duplo feminicídio.

“Amigos e familiares já foram ouvidos pela polícia. Segundo investigações, o autor não aceitava a separação do casal e se irritou contra a amiga da esposa, que tentava prestar apoio e dar abrigo para a mesma. A Justiça já homologou o flagrante e converteu a prisão do agressor em preventiva. A pena pelos crimes pode chegar a 60 anos de prisão”, afirmou a polícia, por meio de nota.

O corpo de Jéssica foi trazido a Pernambuco e velado na terça-feira (2), e o de Tamires foi levado até o Maranhão. Nesta sexta-feira (5), acontece a missa de sétimo dia de Jéssica, no Convento Santo Cristo, em Ipojuca, no Grande Recife, às 19h.

De acordo com o Comando da Aeronáutica no Pará, Joelson foi autuado em flagrante pela polícia e passou por uma cirurgia no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência. Posteriormente, ele foi transferido ao Hospital de Aeronáutica de Belém (Hebe), onde permanecia internado nesta sexta-feira (5).

Jéssica nasceu no Recife e morou grande parte da vida em Ipojuca, mas havia se mudado para a capital paraense em 2018, quando foi chamada para compor o quadro de técnicos de enfermagem do Hospital Barros Barreto.

“Ela estudou na FPS [Faculdade Pernambucana de Saúde] e fez mestrado na UFPE [Universidade Federal de Pernambuco]. Depois, ela passou no doutorado, mas o sonho dela era ter um emprego público e ela conseguiu passar nesse concurso federal em 2016. Depois, foi chamada para ir atuar em Belém”, contou a irmã de Jéssica, Joyce Mesquita, de 25 anos.

Segundo ela, a irmã não tinha coragem de se separar do marido porque se preocupava com a saúde mental dele. “Ele dizia que ia se matar se ela o deixasse. E ela tinha muito medo que ele se suicidasse. […] A preocupação da minha irmã era ele. Ela dizia a nós para não nos preocuparmos porque ele não fazia nada com ela”, disse.

Prisão preventiva

A família busca a transferência de Joelson para a prisão comum. “Já foi expedido o mandado de prisão preventiva, desde o dia 31. Mas ele se encontra na Aeronáutica. E a gente não está entendendo por que, já que não foi um crime militar. Foi um crime de feminicídio. Ele deveria estar em prisão comum”, afirmou.

Por meio de nota, o Comando da Aeronáutica no Pará informou que “a prisão em flagrante foi convertida em prisão preventiva pela Justiça, que determinou que a Força Aérea Brasileira (FAB) mantivesse o militar da reserva sob sua custódia, conforme determina o Estatuto dos Militares (lei 6880)”.

Ainda de acordo com o texto, Joelson, quando receber alta hospitalar, deve cumprir o prazo de “prisão preventiva em unidade da FAB, enquanto aguarda o julgamento da ação criminal”.

Via G1 Pernambuco

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